A retração de consumo provocada pela crise econômica tem debilitado o comércio até mesmo onde o produto é indispensável para a saúde. Por conta da dificuldade do consumidor para equilibrar as contas, até os remédios estão sendo menos vendidos.
Proprietários e gerentes de farmácias da capital confirmam uma queda que conseguiu chegar até os 30% na venda destes produtos, e agora recorrem a medidas para não ficarem no vermelho.
Dono de uma drogaria na Avenida Dorival Caymmi, em Itapuã, e há 35 anos no ramo, o comerciante Gileno Maia afirma que, desde o fim do ano tem sentido uma queda maior na venda dos medicamentos, sejam eles de marca ou genéricos.
“Calculo uma queda de algo entre 20 e 30% ao que costumava vender nesta época. Por isso, também não posso ainda comprar a mesma quantidade dos fornecedores e só reponho o que consigo comercializar”, explicou ele.
Enquanto isso, outros estabelecimentos têm optado pelos descontos e promoções para conseguir resgatar o consumidor. É o caso de outra farmácia situada na Avenida São Cristóvão, no bairro de mesmo nome.
Segundo Priscilla Ferreira, que é uma das vendedoras no estabelecimento, a medida foi adotada após os donos notarem a queda no faturamento, ainda no segundo semestre do ano passado.
Assim, um genérico feito a base de efinaconazole, voltado para fungos, que custa R$ 8,80, sai por R$ 4,40, caso o cliente levar a partir de três caixas.
Outro medicamento que tem losartana como princípio ativo – voltado a tratamentos da pressão alta – e cuja caixa custa R$ 9,20, acaba saindo com um desconto de R$ 2 a partir de terceira embalagem.
As promoções também se estendem a produtos como os sabonetes íntimos, cujo frasco custa R$ 14,90, mas, que, ao levar três unidades, o cliente pagará R$ 19,90.
Segundo Priscilla, as promoções conseguiram fazer com que as vendas caíssem menos, e que a queda nas vendas não ultrapassasse os 10%.
Contudo, ela demonstra preocupação com o novo reajuste de medicamentos, de até 12,5%, autorizado na última semana pelo Governo Federal.
“Nós ainda não repassamos o preço aos produtos daqui, mas, os clientes já estão reclamando do valor atual dos remédios”, observou ela.
Em contrapartida, nem todos os estabelecimentos farmacêuticos registraram a mesma queda. Isso ocorre porque estes locais não afetados têm trabalhado com a venda em forma de atacado.
É o caso de uma drogaria, também situada na Avenida Dorival Caymmi, que tem se destacado nesta forma de venda. A busca por produtos mais em conta tem levado o local à contramão da crise.
“Nós estamos vendo até em telejornais essa queixa das outras farmácias, mas, a verdade é que não temos sentido essa queda. Nosso principal produto são os genéricos, e medicamentos que, em outras farmácias maiores são comercializadas por R$ 22, aqui, o mesmo produto sai pela metade do preço. Na verdade, por conta desse aumento, temos inclusive verificado maior procura e as vendas aumentaram até 10% neste último mês”, explicou a gerente Jamile Batista.
SINCOFARBA
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado da Bahia (Sincofarba), as farmácias e drogarias do estado realmente registraram uma queda nas vendas nos primeiros dois meses do ano de 10%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, o vice-presidente da entidade, Luiz Trindade, aponta que essa queda já começou a ser superada ainda no mês de março.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado da Bahia (Sincofarba), as farmácias e drogarias do estado realmente registraram uma queda nas vendas nos primeiros dois meses do ano de 10%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, o vice-presidente da entidade, Luiz Trindade, aponta que essa queda já começou a ser superada ainda no mês de março.
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