quarta-feira, 8 de julho de 2026

Lula paga recorde de emendas antes da eleição, mas prevê ampliar críticas na campanha

                                                                                


Após desembolsar um volume recorde de emendas às vésperas da eleição e sob pressão do Congresso, o presidente Lula (PT) planeja aumentar as críticas na campanha ao poder dos parlamentares com essas verbas e deve incluir em seu programa de governo a proposta de revisão desse modelo.
 

O mecanismo, que permite a deputados e senadores enviarem dinheiro para suas bases eleitorais, foi alvo nos últimos anos de uma ofensiva do petista, que chegou a vetar dispositivos que ampliavam o poder do Legislativo e a falar em "erro histórico" e "sequestro" do Orçamento, por retirar do Executivo a prerrogativa sobre esse dinheiro.
 

Depois de o Congresso ampliar a fatia dessas verbas, o governo pagou quase R$ 32,5 bilhões em emendas de janeiro a junho de 2026, um salto de mais de 30% se comparado aos R$ 24,5 bilhões liberados no mesmo período em 2022, no auge desses recursos.
 

Dispositivo incluído pelo Congresso na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, o "calendário de emendas" obriga o Executivo a pagar 65% dessas verbas parlamentares obrigatórias até o fim do primeiro semestre.
 

Durante o periodo de defeso eleitoral, nos três meses anteriores ao pleito, o governo só pode realizar pagamentos de emendas para obras em andamento e cujos valores ja estejam empenhados, além de casos de emergência.
 

Lula deve explorar as críticas às emendas parlamentares por enxergar ganhos eleitorais com o discurso e ter a intenção de retomar o controle de ao menos parte dessa verba, caso seja reeleito.
 

O atual volume de emendas reduz a disponibilidade de recursos para programas do governo federal. Também diminui o poder de negociação do Executivo junto ao Legislativo, uma vez que deputados e senadores conseguem liberar recursos sem precisar, em troca, apoiar projetos do presidente da República.
 

A partir de 2015, congressistas promoveram mudanças nas regras para ampliar seu controle sobre os recursos, e a disputa tem potencial de acirrar os atritos entre os Poderes.
 

Em 2023, primeiro ano do mandato de Lula, foram R$ 34,1 bilhões apenas com emendas impositivas, que são obrigatoriamente pagas pelo governo, um salto de 63% em comparação aos R$ 20,9 bilhões de 2022, em valores corrigidos pela inflação.
 

Desde então, o Congresso vem aumentando o valor das emendas com pagamento obrigatório. Em 2026, são previstos quase R$ 39 bilhões. Se o Legislativo fosse um ministério, seria o 7º com maior orçamento, à frente de pastas como a de Ciência e Tecnologia, das Cidades e do Desenvolvimento Regional. Os dados são da plataforma Siga Brasil, mecanismo de transparência do Senado.
 

No ano passado, durante a negociação sobre o Orçamento, o centrão ameaçou tornar obrigatório o pagamento de 100% das emendas, caso o presidente não cedesse que 65% delas fossem impositivas, como acabou sendo acordado.
 

A busca por retomada de poder sobre esse dinheiro deverá aparecer no programa de governo que Lula apresentará para sua campanha de reeleição.
 

"A forma como estamos tendo hoje, de um sistema político em que o Legislativo tem um tamanho de recursos por emendas individuais, isso praticamente inviabiliza o planejamento, praticamente inviabiliza ter uma gestão estrutural", disse o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, que coordena a elaboração do programa de governo do petista.
 

No Congresso, lideranças partidárias dizem que a atual resistência do centrão ao governo é resultado também da expectativa de um avanço do Executivo contra as emendas parlamentares. Há um temor de que, se reeleito, Lula assegure maioria no STF (Supremo Tribunal Federal) para restringir a verba indicada pelo Legislativo.
 

Esse alerta foi difundido, principalmente, quando o ministro Flávio Dino, indicado por Lula, deu decisões que suspenderam o pagamento de emendas parlamentares e exigiram mais transparência.
 

Neste ano, o governo propôs que o Congresso incluísse nas diretrizes orçamentárias de 2027 a possibilidade de deputados e senadores cederem emendas para bancar ações orçamentárias definidas em acordo com setores da sociedade civil.
 

O texto proposto pelo governo ressalva que seria preciso haver a anuência do parlamentar, sem possibilidade de uma decisão unilateral do Executivo.
 

A relação do presidente da República com o Congresso Nacional teve altos e baixos ao longo do atual mandato, e Lula buscou reconstruir pontes depois dos principais atritos.
 

O mais recente distanciamento aconteceu depois da rejeição, pelo Senado, do advogado-geral da União, Jorge Messias, como ministro do STF.
 

Petistas que acompanham a trajetória de Lula avaliam que essa dinâmica não funcionaria para aprovar propostas com mudanças socioeconômicas estruturais. Nesse cenário, seria necessário mobilizar mais a opinião pública em favor dos projetos, reduzindo a capacidade do Congresso de se contrapor.
 

O exemplo citado é o do fim da escala 6x1, de seis dias de trabalho por um de descanso: a medida sofre resistência no empresariado, mas avançou na Câmara graças à maioria formada na opinião pública em seu favor.
 

No ano passado, em ao menos dois momentos, Lula e seu grupo político aumentaram o tom contra o Legislativo depois de derrotas. Governistas adotaram naqueles momentos motes como "Congresso inimigo do povo".

Anvisa diz que canetas emagrecedoras do Paraguai não tem equivalência com medicamentos registrados no Brasil

                                                                                 


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que é a falsa a informação de que testes laboratoriais comprovaram a equivalência de canetas contrabandeadas com os produtos registrados no Brasil. De acordo com a agência, para garantir que um medicamento é equivalente a outro, testes específicos são efetuados para assegurar concentrações e características idênticas. 

 

Além disso, os testes precisam analisar se o medicamento funciona da mesma forma quando é aplicado em uma pessoa. Para isso, é necessário avaliar como o produto é absorvido pelo corpo, qual a concentração que atinge na corrente sanguínea e quanto tempo leva para ser eliminado.

 

Segundo a Anvisa, para se comprovar a equivalência, é necessário que o estudo seja feito em um centro de bioequivalência credenciado, que tem a responsabilidade de avaliar as etapas clínicas, analíticas e estatísticas do estudo.

 

A comparação das canetas emagrecedoras no Brasil com a do Paraguai foi feita por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) a pedido da Folha de S.Paulo. As amostras analisadas também não estavam misturadas com semaglutida (princípio ativo do Ozempic e do Wegovy).
 

O estudo analisou a presença, concentração e a estrutura molecular do princípio ativo das amostras dos medicamentos Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex, produzidas pelos laboratórios paraguaios Catedral, Indufar, Eticos, Quimfa e Lasca, respectivamente

Vitória reajusta preço dos ingressos para não sócios; confira os novos valores

                                                                               


O Vitória anunciou nesta quarta-feira (8) um reajuste no valor dos ingressos para o segundo semestre de 2026. De acordo com o clube, as entradas terão um acréscimo de R$ 10 em relação aos preços praticados até então e a mudança passa a valer já na primeira partida da equipe após a retomada do calendário, contra o Vasco, no dia 16 deste mês, às 19h30, no Barradão.

 

Segundo o Rubro-Negro, o aumento foi motivado pela atualização monetária referente ao período entre 2025 e 2026, que não havia sido aplicada no início desta temporada.

 

O clube também ressaltou que o reajuste atinge apenas os torcedores que compram ingressos avulsos, sem impacto para os sócios-torcedores.

 

"É importante ressaltar que a medida afeta apenas os ingressos destinados a não sócios. Além disso, os valores praticados pelo Vitória seguem entre os mais acessíveis do Campeonato Brasileiro da Série A", informou a nota oficial.

 

No início da temporada, o Vitória adotou uma política de precificação variável para os ingressos. Com esse modelo, os valores são definidos dentro de uma faixa de preços para cada partida. No caso das arquibancadas, por exemplo, os ingressos eram comercializados entre R$ 100 e R$ 200. Com o reajuste, todas as faixas sofrerão um acréscimo de R$ 10 a partir do confronto diante do Vasco.

Lula paga recorde de emendas antes da eleição, mas prevê ampliar críticas na campanha

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