quarta-feira, 9 de março de 2022

Governo quer cortar tributo de frete para reduzir custo de combustíveis e fertilizantes

 

Governo quer cortar tributo de frete para reduzir custo de combustíveis e fertilizantes
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Em meio à escalada nos preços de petróleo e fertilizantes, pressionados pela guerra na Ucrânia, o governo brasileiro planeja um corte na tributação do frete marítimo para tentar reduzir custos de importação.
 

O Ministério da Economia pretende estabelecer, por meio de um decreto, um corte linear de aproximadamente um terço no Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) –um tributo criado nos anos 1980 para incentivar a indústria naval nacional.
 

A medida tem custo calculado em aproximadamente R$ 4 bilhões por ano e não há necessidade de compensação orçamentária porque a redução poderá ser usufruída por todos os setores. A Lei de Responsabilidade Fiscal só exigiria um balanceamento no caso de o corte tributário ser restrito a um grupo ou segmento.
 

O AFRMM incide sobre o produto desembarcado nos portos, seja de origem internacional ou de outras regiões brasileiras (por exemplo, por meio da navegação de cabotagem). Apesar disso, praticamente todo o valor arrecadado é oriundo das operações de importação.
 

Os combustíveis são os que mais contribuem para a arrecadação com o tributo (cerca de 18%), seguidos por cargas transportadas por contêineres (cerca de 17%) e adubos e fertilizantes (cerca de 13%). Outros produtos têm representatividade menor.
 

A proposta desenhada até agora estabelece um corte linear de 33,9% no AFRMM, sendo que há diferentes percentuais resultantes conforme a origem. Na navegação de longo curso internacional, por exemplo, a alíquota cairia de 25% para 16,5%; na de longo curso nacional, de 25% para 16,5%; na de cabotagem, de 10% para 6,6%.
 

O AFRMM é considerado pelo Ministério da Economia um tributo que não contribui para a atividade. Primeiro porque beneficiaria poucos estaleiros nacionais (80% dos recursos vão para um conjunto de aproximadamente 20 empresas) e segundo porque estabeleceria uma forma de protecionismo à indústria nacional (ao taxar os produtos que chegam via mar).
 

Apesar de os combustíveis serem os maiores geradores de AFRMM, o Ministério da Economia vê um impacto mais significativo do tributo sobre a produção de alimentos. A estimativa da pasta é que o AFRMM custe aos agricultores por volta de R$ 450 milhões ao ano na importação dos fertilizantes.
 

A CNA (Confederação Nacional da Agricultura), que vinha desde a pandemia pedindo mudanças no AFRMM, comemora a medida. A entidade estima que fertilizantes e defensivos representam de 30% a 50% do custo de produção e classifica a escalada recente dos preços como "avassaladora".
 

De acordo com a CNA, a ureia aumentou 300% no ano passado, o potássio encareceu 170% e o fosfato dobrou de preço. Ainda de acordo com a entidade, os principais nutrientes aplicados no país são potássio (38% do total), cálcio (33%) e nitrogênio (29%).
 

Dos 35 milhões de toneladas de fertilizantes usados anualmente nas lavouras brasileiras, 74% têm origem no exterior. Rússia e Belarus, grandes exportadores, estão com as vendas afetadas em razão da guerra.
 

A CNA afirma que a cultura da soja lidera a demanda por fertilizantes com mais de 40% do total usado, seguida por milho, cana, café e algodão.
 

A conclusão do Ministério da Economia é que o AFRMM onera muito o frete de transporte, principalmente em itens que compõem a cesta básica ou afetam seu custo, como grãos, farinha de trigo, adubos e fertilizantes.
 

Cálculos da Economia apontam que a extinção do tributo reduziria o custo da cesta básica em 4,4%. A medida e outras similares em discussão são vistas internamente como os primeiros passos rumo a uma possível eliminação do AFRMM.
 

O ministro Paulo Guedes (Economia) tem colocado em prática diferentes medidas de corte tributário. Em sua visão, é melhor devolver os ganhos em receita obtidos em forma de impostos à sociedade do que inchar o Estado e dar margem a políticas questionáveis.
 

"Esse excesso de arrecadação não é para inchar a máquina de novo. Preferimos transformar esse ganho de arrecadação em redução de impostos para milhões de brasileiros", disse o ministro no mês passado ao anunciar um corte de 25% no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
 

O Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore) reagiu à medida dizendo que o setor vai ser afetado. "Isso prejudica a indústria, pois são recursos usados há mais de 50 anos pelas empresas", diz Sergio Bacci, vice-presidente da entidade.
 

Ele reconhece que os recursos do Fundo de Marinha Mercante não estão sendo usados de forma significativa atualmente e que há bilhões em dinheiro em estoque, mas afirma que isso é resultado de uma política de governo que não dá prioridade à indústria nacional. Ele diz que a Petrobras, forte contratante dos estaleiros brasileiros na era petista, agora encomenda seus navios da Ásia.
 

Para ele, o Ministério da Economia está usando o cenário de inflação para justificar uma medida que seria adotada de qualquer forma e prova disso seria que até a cabotagem teria suas tarifas reduzidas pela medida. "Estão querendo colocar a culpa nos fertilizantes", diz ele.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Clientes da Oi serão divididos entre Tim, Vivo e Claro; entenda

 

Clientes da Oi serão divididos entre Tim, Vivo e Claro; entenda
Foto: Divulgação / Oi

Mais de 40 milhões de consumidores que usam os serviços de telefonia da Oi serão transferidos para uma nova operadora nos próximos meses. Os clientes serão divididos entre Tim, Vivo e Claro, que tiveram a compra das redes de celular da operadora aprovada nesta quarta (9), por R$ 16,5 bilhões.
 

A migração será feita aos poucos e a companhia de destino será definida por região, isto é, de acordo com o DDD de cada linha (veja lista completa abaixo). No entanto, nenhum cliente será obrigado a ficar na operadora definida, e poderá escolher o destino da portabilidade sem multa ou exigência de fidelidade.
 

Num primeiro passo, as empresas terão de enviar um aviso aos consumidores sobre a transferência. Caso não aceitem, as teles terão de migrá-los para a companhia desejada. Até lá, o cliente continuará a ser atendido pela Oi.
 

A Claro é a operadora que vai herdar mais clientes (15 milhões), seguida de Tim (14,5 milhões) e Vivo (10,5 milhões).
 

De acordo com um parecer do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a divisão das linhas da Oi tomou como base o tamanho da operadora em cada região. Receberá os contratos a companhia que possuir a menor participação de mercado na área de DDD.
 

No dia 31 de janeiro, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) determinou que as compradoras adotem uma série de medidas a fim de preservar os direitos dos consumidores durante a migração.
 

A primeira delas é a garantia do direito de portabilidade a qualquer momento. As operadoras também deverão segregar os contratos de telefonia móvel que integram contratos de Combo da Oi de forma transparente e comunicada com antecedência.
 

Além disso, a Anatel proibiu a migração automática de eventual fidelização contratual do cliente da Oi ou a imposição de fidelização na adesão a um novo plano. Por fim, a agência também determinou a ausência de cobrança em virtude de quebra de fidelização dos contratos dos usuários de telefonia móvel ou Combo da Oi.
 

Ricardo Moraes, sócio do escritório Silveiro Advogados, diz que os consumidores estiveram o tempo todo no foco das discussões que envolveram a compra da Oi.
 

Segundo ele, todas as proteções, regulações e normativas continuam servindo para proteger os clientes, mesmo num cenário de migração.
 

"Naturalmente, ocorrendo eventual abuso, violação ou alguma ilegalidade, isso pode ser submetido a sanções tradicionais, seja no âmbito da Anatel ou no sistema de proteção do consumidor", diz.
 

Moraes diz que o fato de os contratos estarem sendo assumidos por outras companhias não altera sua obrigatoriedade de execução. Características e condições do pacote vigente, por exemplo, devem continuar sendo observadas na nova operadora.
 

"O consumidor não pode se ver em condição pior ao contrato atual", afirma.
 

O que pode acontecer, segundo ele, é a nova operadora não possuir um plano exatamente igual ao contratado na Oi. Nesse caso, ele diz, deve ser ofertado, no mínimo, outro plano com condições melhores --mas mantendo os mesmos preços, vigência e valores de pacote.
 

"Esse é um cenário de aquisição depois de ampla discussão perante a Anatel e perante o Cade, inclusive com a imposição de remédios. Comparado com o cenário alternativo [falência da Oi], ele traz maior proteção para o mercado, para o setor como um todo e para os consumidores", avalia.

 

COMO SERÁ A MIGRAÇÃO DE CLIENTES DA OI

Quem vai para a Claro?

Clientes dos DDDs 13, 14, 15, 17, 18, 27, 28, 31, 33, 34, 35, 37, 38, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 71, 74, 77, 79, 87, 91, 92

 

Quem vai para a Vivo?

Clientes dos DDDs 12, 41, 42, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 88, 98

 

Quem vai para a TIM?

Clientes dos DDDs 11, 16, 19, 21, 22, 24, 32, 51, 53, 54, 55, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 73, 75, 89, 93, 94, 95, 96, 97, 99

 

Serei atendido por qual operadora enquanto não for transferido?

Cada operadora fará a migração dos novos clientes e avisará, um a um, quando ocorrerá esse procedimento. Até lá, a Oi continuará prestando o serviço.

 

Não quero migrar, como fazer?

Nenhum cliente será obrigado a ficar na operadora definida pela Anatel após a divisão da Oi, ele poderá escolher para qual empresa fará a portabilidade.

Em busca de apoio, relator avalia mudanças em imposto sobre jogos de azar

 

Em busca de apoio, relator avalia mudanças em imposto sobre jogos de azar
Foto: Micha Parzuchowski/Unsplash Commons

Em busca de apoio para aprovar a proposta que regulariza os jogos de azar no Brasil, o relator do projeto de lei, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), prometeu a parlamentares fazer alterações em seu parecer.

 

Diante de forte oposição à proposta, prometida pela Frente Parlamentar Evangélica, o deputado pretende alterar pontos como a destinação do imposto exclusivo do setor que será criado, a "Cide-Jogos".

 

Segundo publicação do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, uma das ideias avaliadas pelo relator é aumentar o percentual que será destinado ao fundo destinado ao fundo nacional da cultura. No relatório preliminar, Carreras destina 3% para o setor.

 

Ainda conforme as informações, o relator do PL, a pedido de outros parlamentares, prometeu aumentar o percentual da Cide-Jogos a ser destinado para programas e ações de defesa animal.

 

Uma nova versão do relatório deve ser apresentada na próxima semana. De acordo com aliados, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), só pautará a votação do projeto em plenário na próxima semana caso tenha certeza da aprovação.

 

Ao Bahia Notícias, o deputado Bacelar (Podemos), coordenador do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, salientou a necessidade de apressar a votação do texto, que já tramita no Legislativo desde 1991 (leia mais aqui). "O Brasil está desatualizado nesse sentido [da legalização dos jogos]. Hoje até os Emirados Árabes, país religiosamente muçulmano, já estão finalizando o processo de legalização do jogo", exemplificou o deputado.

Prazo para prova de vida de aposentados e pensionistas da Bahia termina nesta quinta

 

Prazo para prova de vida de aposentados e pensionistas da Bahia termina nesta quinta
Foto: Divulgação/Saeb

Termina nesta quinta-feira (10) o prazo para que os aposentados e pensionistas convocados para a prova de vida em janeiro possam executar o procedimento sem sofrer impacto no recebimento dos seus proventos. Em paralelo, já podem agendar a prova de vida também os beneficiários convocados pelo Estado para o mês de fevereiro.

 

O cronograma segue o mês de aniversário do aposentado ou do ex-servidor falecido que gerou a pensão previdenciária, e é este período que deve ser seguido para evitar bloqueios.

 

A prova de vida está sendo feita por videoatendimento ou presencialmente nos postos da Rede SAC. Em qualquer opção, é preciso realizar agendamento prévio por meio do SAC Digital ou no call center da Suprev pelos telefones 0800 071 5353 (para chamadas de telefone fixo, celular ou DDD) e (71) 4020-5353 (para ligações originadas do interior do estado e de celular). Mais informações podem ser conferidas por meio do Portal do Servidor.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Falta de esforço do governo para manter Nilo na base teria magoado deputado

 

Falta de esforço do governo para manter Nilo na base teria magoado deputado
Foto: Divulgação / PSB

A falta de empenho por parte da gestão estadual teria selado de vez o destino do deputado federal Marcelo Nilo (PSB). Com isso, o socialista está de malas prontas para a oposição e com o caminho livre para apoiar a candidatura de ACM Neto (DEM/UB) ao governo da Bahia. 

 

Nilo, inclusive, estaria bastante chateado com a falta de esforço por parte do governador Rui Costa e do senador Jaques Wagner em mantê-lo na base. Informações obtidas pelo Bahia Notícias dão conta de que pedidos feitos pelo socialista não foram atendidos pela cúpula governista. A avaliação é de que Nilo só continuaria na base se houvesse recuo por parte dele, o que nas circunstâncias atuais parece distante de acontecer. 

 

No ano passado, o parlamentar iniciou ofensiva com uma série de críticas ao grupo formado por PT, PSD e PP. Em diversas entrevistas, o deputado afirmou que o PSB era um partido injustiçado por não compor a chapa majoritária (lembre aqui).  Alguns meses antes, ele disse que iria “lutar para estar na chapa majoritária em 2022” (veja aqui).

 

A pressão por um lugar na majoritária causou incômodo em aliados. A situação teria piorado quando Nilo citou reiteradas vezes que manteve conversas frequentes com Neto ao longo de 2021. Porém ele garante que não houve nenhum convite do ex-prefeito de Salvador para que Nilo seja indicado ao Senado para a sua chapa (saiba mais aqui). 

 

SITUAÇÃO DE MARCELINHO

Com todo esse imbróglio envolvendo o ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, quem pode ficar em situação delicada é o seu genro, o deputado estadual Marcelinho Veiga (PSB). 

 

Informações de bastidores apontam que Marcelinho fez todo o esforço possível para demover o sogro da ideia de sair da base, mas não obteve êxito. A preocupação do deputado é que a decisão de Nilo tire votos que podem ser cruciais na sua reeleição, embora publicamente ele negue o temor (veja aqui).

 

Para entornar ainda mais o caldo dos socialistas, Rui estaria inclinado a manter Marcelinho em sua base, porém sem os cargos, já que eles estariam de alguma forma ligados a Nilo. Esses cargos devem servir como moeda de troca para atrair alianças em torno da candidatura de Wagner ao Palácio de Ondina. 

 

Apesar da provável debandada, ao menos um nome indicado por Nilo deve permanecer na gestão. O secretário de Administração Penitenciária (SEAP), Nestor Duarte, tem demonstrado interesse em permanecer no comando da pasta.

Congelamento do ICMS nos combustíveis é prorrogado até março na Bahia

 

Congelamento do ICMS nos combustíveis é prorrogado até março na Bahia
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O congelamento do ICMS nos combustíveis na Bahia foi prorrogado até o dia 31 de março de 2022. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (4) e ocorre após decisão da maioria dos governadores do Brasil, que optaram pela extensão. A movimentação foi duramente criticada pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), que não assinou o documento junto com outros gestores, mas disse que seguiria a deliberação da maioria.

 

"Fica prorrogado, até 31 de março de 2022, o congelamento da base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS devido por substituição tributária nas operações com combustíveis, derivados ou não do petróleo, nos termos do Decreto nº 20.852, de 04 de novembro de 2021", diz o texto assinado por Rui.

 

Na semana passada, o governador baiano chegou a dizer que a prorrogação era "quase irracional" ao justificar não ter assinado o documento por não concordar com a movimentação (relembre aqui). "Acho que nós estamos enchendo os cofres dos revendedores de combustível de dinheiro e sacrificando a população do nosso país", disse, ao ser questionado pelo Bahia Notícias sobre o assunto.

 

Na avaliação do petista, o caminho para resolver o problema dos combustíveis é rever a política nacional de preço da Petrobras. Rui aponta ainda, que, para isso, é preciso comprometimento dos postos de gasolina e da Petrobras para o congelamento dos preços.

 

O reajuste do PMPF - preço médio ponderado ao consumidor final, que compõe o cálculo do ICMS - já estava suspenso entre 10 de novembro de 2021 e 31 de janeiro de 2022 e os mandatários decidiram pela renovação da medida.

 

O imposto na Bahia já está congelado desde o dia 5 de novembro, quando o governo estadual atendeu decisão tomada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) (leia mais aqui). O Confaz é um órgão composto por secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal.

'Está cheio de pau de arara aqui', diz Bolsonaro em referência a nordestinos

 

'Está cheio de pau de arara aqui', diz Bolsonaro em referência a nordestinos
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) usou na noite desta quinta-feira (3) uma expressão empregada para se referir a nordestinos de forma depreciativa. Ao comentar justificar a revogação em 2020 de mais de duas dezenas de decretos de luto oficial, Bolsonaro errou o estado de nascimento do líder religioso Padre Cícero (1844-1934) e chamou assessores de pau de arara.
 

"Dada as nossas revogações, feitas há pouco tempo, falaram que eu revoguei o luto de padre Cícero, lá de Pernambuco", disse Bolsonaro durante sua live semanal. Na verdade, padre Cícero nasceu no estado do Ceará. O presidente também cometeu outro equívoco. Entre os decretos de luto revogados por ele, não consta o do líder religioso cearense.
 

"É isso mesmo? De que cidade fica lá?", questionou o presidente a assessores que estavam na sala de transmissão da live.
 

"Está cheio de pau de arara aqui e não sabem que cidade fica padre Cícero?", prosseguiu.
 

Auxiliares então responderam Juazeiro do Norte e corrigiram Bolsonaro, apontando que o município fica no Ceará.
 

O termo pau de arara refere-se aos caminhões usados na migração, em décadas passadas, de pessoas pobres do Nordeste para outras regiões do país. Ele é usado para se referir, de forma depreciativa, a nordestinos.
 

"Dada aquela confusão toda, começaram, a esquerda, a oposição, [a dizer:] 'olha só, eu não tenho respeito com Padre Cícero'", afirmou Bolsonaro. Ele também disse que determinou a reedição de todos os 122 decretos de luto --incluindo os que foram revogados por um decreto de 1991.
 

No final de janeiro, Bolsonaro (PL) cancelou 25 decretos de pesar editados por seus antecessores.
 

As revogações ocorreram em 2020, como parte da política apelidada pelo Planalto de "revogaço", propagandeada pelo governo. Ela consiste em anular normas "cuja eficácia ou validade encontra-se completamente prejudicada", segundo a gestão Bolsonaro.
 

Em seu mandato, ele declarou luto oficial em apenas duas ocasiões. Na morte do ex-vice-presidente Marco Maciel e, mais recentemente, pelo falecimento do escritor Olavo de Carvalho --guru e ideólogo do bolsonarismo.
 

Na live desta quinta, o presidente argumentou que os decretos de luto editados no passado já não tinham mais razão de existir. Isso ocorre porque os efeitos da norma perdem validade tão logo termina o período do luto da pessoa homenageada.
 

Apesar disso, integrantes de gestões anteriores da SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos) ouvidos em caráter reservado pela reportagem afirmam não ver sentido no cancelamento de decretos de pesar. A subchefia é a estrutura que faz a revisão final dos atos publicados no Diário Oficial da União.
 

A decretação de luto oficial é um ato simbólico. A determinação principal é que a bandeira nacional fique a meio mastro em todo o país durante o período de pesar.
 

A revogação de decretos de pesar no governo Bolsonaro não teve tratamento igualitário para todas as autoridades e personalidades que receberam a honraria oficial nos últimos anos.
 

Em um mesmo período de tempo, foram anulados decretos de luto para determinadas pessoas, enquanto a de outras foram mantidos.
 

Por isso não é possível estabelecer um padrão sobre o que motivou a inclusão na lista do "revogaço".
 

Todos os decretos cancelados foram das gestões dos ex-presidentes Itamar Franco (1992-1994), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).
 

Os decretos de luto oficial cancelados abarcam uma série de autoridades, artistas, juristas e políticos nacionais e internacionais.
 

Estão na lista o rei Balduíno I da Bélgica (morto em 1993), o premiê israelense Yitzhak Rabin (1995) e o antropólogo, historiador, cientista político e romancista Darcy Ribeiro (1997).
 

Entraram ainda no grupo de decretos cancelados o luto pela morte do presidente da Câmara Luís Eduardo Magalhães (1998), e de seu pai, senador Antônio Carlos Magalhães (2007); do governador André Franco Montoro (1999); do economista e diplomata Roberto Campos (2001) e do governador Barbosa Lima Sobrinho (2000).

Segundo dia de campanha na Bahia tem caminhadas, reuniões e encontros com lideranças

                                                                                   Os candidatos ao Governo da Bahia cumprem, nesta segunda-...