quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ausência de profissionais preparados na saúde básica dificulta identificação de hemofílicos

Ausência de profissionais preparados na saúde básica dificulta identificação de hemofílicos
Foto: Reprodução / Instatuto Adolescente
A falta de especialistas hematologistas e pediatras capacitados nas unidades básicas de saúde é apontada pelo médico e professor universitário Hugo Carvalho como um dos grandes obstáculos na identificação de pacientes hemofílicos na Bahia.

Com incidência de um a cada cinco mil nascidos vivos em um dos tipos da doença, especialistas chamam atenção para a Hemofilia no Dia Internacional da doença (17 de abril). Os pacientes hemofílicos possuem o sangue mais fino e tem problemas na coagulação, com isso estão sujeitos a hemorragias de maneira mais recorrente. 

A doença impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes, principalmente na infância. Segundo explicação da diretora de Hematologia da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba), Anelisa Streva, o atrito e impacto causados por algumas brincadeiras podem causar complicações ao hemofílico, que podem ir de dificuldade de locomoção, devido a sangramento nas articulações, até acidente vascular encefálico.

Na Bahia, o centro de saúde especializado no atendimento de pacientes da doença é o Hemoba, com cerca de 1,5 mil atendimentos por mês na unidade de Salvador. A atenção a estes pacientes também é feita na unidade de Juazeiro, norte do estado. Aquelas pessoas de outras cidades do interior da Bahia tem que procurar essas duas unidades para ter acesso ao acompanhamento e a medicação necessária.

"Os pacientes do interior vem a unidade a cada três meses, realizam os exames e leva a medicação relativa ao tempo de retorno", disse Anelisa.  

No Hemoba, os hemofílicos são submetidos a reposição de proteína no sangue, através do "Fator 8", esse procedimento é chamado de "profilaxia". Com ele, os pacientes conseguem aumentar a qualidade de vida.

O hematologista Hugo Carvalho destacou a importância de diagnóstico na infância e afirmou que é o que geralmente acontece. Mas o médico também sinalizou que existem casos pontuais em que a pessoa convive com a doença sem saber. Anelisa Streva explicou que a Hemofilia existe em três "níveis" de gravidade, e nos casos mais leves isso é possível de acontecer.

Carvalho apontou ainda os sintomas com que os pais devem estar atentos. "Quando a criança começa a engatinhar e começa a ter hematomas. Sangramentos nas gengivas também são um sinal que deve ser observado". O diagnóstico é feito a partir de um teste de coagulação, realizado apenas após o aparecimento dos primeiros sintomas, e não de modo corriqueiro.

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A Argentina chega à semifinal da Copa do Mundo de 2026 com um retrospecto particular envolvendo a arbitragem de vídeo. Até o momento, nenhuma decisão tomada em campo foi revertida pelo VAR de maneira desfavorável à seleção comandada por Lionel Scaloni. Um levantamento produzido pelo NetSI Sport, grupo de pesquisa ligado à Northeastern University, contabilizou as intervenções realizadas durante os primeiros 97 jogos do Mundial. No recorte, que abrangia a fase de grupos e as oitavas de final, a Argentina registrava quatro mudanças de decisão a seu favor e nenhuma contra. O México também possuía quatro alterações favoráveis naquele momento. A análise considerou decisões efetivamente modificadas após a atuação do árbitro de vídeo, principalmente em lances relacionados a faltas. Isso significa que checagens nas quais a marcação original foi mantida, assim como reclamações que não provocaram uma revisão, não aparecem como reversões. Segundo o estudo, foram registradas 35 intervenções do VAR nos 97 jogos analisados. Na Copa do Mundo de 2022, foram contabilizadas 26, enquanto a edição de 2018, primeira com a utilização da tecnologia, teve 22. O levantamento foi publicado antes da classificação argentina diante da Suíça. Nas quartas de final, uma nova intervenção terminou favoravelmente à atual campeã mundial. O atacante suíço Breel Embolo recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso após uma revisão do VAR. A arbitragem havia marcado uma infração a favor da Suíça, mas utilizou o protocolo relacionado a erro de identificação e concluiu que Embolo havia simulado o contato. A decisão também mudou o sentido da falta inicialmente assinalada. A utilização do protocolo foi contestada pelo técnico suíço Murat Yakin e pela ex-árbitra Fifa Christina Unkel. Na avaliação da analista, a revisão não se limitou a identificar corretamente o jogador envolvido e acabou mudando a interpretação completa da jogada, aproximando o VAR de uma nova arbitragem do lance. Com isso, a Argentina passou a ter ao menos cinco mudanças de decisão favoráveis no torneio, mantendo o registro de nenhuma reversão contrária até a semifinal. RECLAMAÇÕES COMEÇARAM NA FASE DE GRUPOS As discussões em torno da arbitragem argentina começaram na estreia, diante da Argélia. A federação argelina apresentou uma reclamação após a derrota por 3 a 0 e questionou, entre outros lances, a ausência de uma expulsão para Lionel Messi após um contato com Aïssa Mandi. O camisa 10 permaneceu em campo e marcou três gols na partida. O debate aumentou nas oitavas de final, quando a Argentina venceu o Egito por 3 a 2. A seleção africana chegou a marcar no segundo tempo, mas o gol foi anulado depois que o VAR identificou uma falta de Marwan Attia sobre Lisandro Martínez durante a construção da jogada. Nos minutos finais, os egípcios também pediram um pênalti sobre Mohamed Salah. A arbitragem, porém, entendeu que houve um contato normal com Julián Álvarez e manteve o jogo. Pouco depois, a Argentina marcou o gol da classificação. O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, defendeu as decisões. De acordo com o dirigente, todos os gols passam por uma análise da fase ofensiva que originou o lance, sem um limite fixo de tempo ou distância para que uma falta seja considerada. Collina afirmou ainda que o contato sobre Salah não configurou infração e rejeitou qualquer possibilidade de influência externa sobre os árbitros. NÚMEROS NÃO COMPROVAM FAVORECIMENTO Apesar do saldo favorável à Argentina, o próprio estudo alerta que os dados não permitem concluir que exista uma atuação deliberada dos árbitros para beneficiar uma seleção. Brennan Klein, diretor do NetSI Sport, explicou que os números mostram apenas quantas marcações foram alteradas e para qual lado as mudanças ocorreram. Uma intervenção favorável pode indicar, por exemplo, que o árbitro de campo cometeu um erro contra aquela equipe e que o VAR corrigiu a decisão. Dessa forma, o dado objetivo é que a Argentina ainda não teve uma marcação de campo modificada pelo VAR em seu prejuízo. O retrospecto, porém, não representa por si só uma prova de favorecimento, embora as decisões tenham ampliado a pressão sobre a arbitragem antes do confronto com a Inglaterra pela semifinal.

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