sexta-feira, 15 de julho de 2022

Agora ao lado de Neto, PTB sugere que Roma recue de disputa ao governo e saia a federal

 

Agora ao lado de Neto, PTB sugere que Roma recue de disputa ao governo e saia a federal
Foto: Divulgação

O entrave entre o PTB e a pré-candidatura de João Roma (PL) parece que não foi superado. Agora ao lado de ACM Neto (União) (veja aqui), o presidente estadual do PTB Gean Prates sugeriu que Roma abra mão da pré-candidatura ao governo e dispute uma vaga na Câmara dos Deputados.  Além disso, Prates indicou que não irá subir em um palanque com o presidente Jair Bolsonaro (PL) em que João Roma estiver. 

 

"Ouso dizer que a melhor coisa a se fazer nesse momento, fazendo o que ele fez no PTB, dando palpite, era João Roma recuar dessa pré-candidatura, fosse candidato a deputado federal, seria um dos mais votados no estado. Ele seria sufragado pelos eleitores de Bolsonaro. E Bolsonaro, que não apoiasse ninguém, deixasse a política da Bahia seguir seu rumo. Na conjuntura atual, se eu achasse que eu era melhor que ACM Neto ia ser candidato, tive oportunidade e não fui. Busquei um líder, ele é uma liderança de renome nacional. Enquanto João Roma é uma cria que se voltou contra o criador", disse ao Bahia Notícias. 

 

Prates também revelou que o PTB não dependia de uma liberação de ACM Neto para manter o apoio a Bolsonaro. "Foi uma composição política. Ao contrário do que pregam as hostes do PL, tentando imputar a ACM Neto tem viés esquerdista. O principal inimigo de Neto é o PT. Ele não tem nada contra o governo Bolsonaro, tanto que não foi empecilho para mantermos essa conversa e nas circunstâncias ele é o melhor para o estado. O ACM Neto antes de tudo é um estadista. Em nenhum momento esteve em pauta qualquer restrição a esse apoio que nós dispensamos ao governo Bolsonaro. Na qualidade dos defensores de interesses da Bahia ele está focando no estado", sinalizou. 

 

O agora presidente da Agência Reguladora e Fiscalizadora dos Serviços Públicos de Salvador (Arsal) também teceu críticas aos integrantes do PL. "O que João Roma não tem, nós temos de sobra. Vi a doutora Raíssa [Soares] falando que me conhecia, só esqueceu de dizer que quem apresentou Roberto Jefferson a ela fui eu, e mentiu dizendo que o PTB se alimenta da mesma fonte ideológica do PL. O PTB tem história e o PL tem ficha corrida", completou. 

Prefeitos irão aproveitar agenda de ACM Neto em Irecê para pressionar por vice; saiba

 

Prefeitos irão aproveitar agenda de ACM Neto em Irecê para pressionar por vice; saiba
Foto: Divulgação

Lideranças da região de Irecê irão aproveitar a agenda do pré-candidato a governador ACM Neto (União) na região, para pressionar por uma indicação do nome de Ângelo Dourado (PDT) como vice na chapa. Neto estará na região entre os dias 29 e 31. 

 

"Também temos o apoio de vice-prefeitos, ex-prefeitos e lideranças da região, de vários partidos políticos. Acreditamos que a região de Irecê merece estar representada na chapa de Neto, que é o nosso pré-candidato a governador. Por isso, o meu nome surgiu como alternativa apresentada pelo diretório estadual do partido. Além disso, o PDT é um partido de centro-esquerda que agregaria peso à chapa, com bandeiras fortes na defesa da educação, do trabalhismo, da democracia", disse Dourado ao Bahia Notícias. 

 

Internamente, o partido avalia que o ato é a última tentativa de convencimento do ex-prefeito de Salvador em fazer a composição na chapa. O período antecede a convenção de Neto, onde deve anunciar o vice ao governo da Bahia (reveja aqui). 

 

O diretório municipal pedetista indicou que estarão presente na mobilização os prefeitos de São Gabriel, Hipólito Rodrigues (PP); de Morro do Chapéu, Juliana Araújo (PDT); de Canarana, Zeni Dourado (PL); e de Xique-Xique, Reinaldo Braga Filho (MDB). de Ibititá, Afonso Mendonça (PSDB). 

 

Em maio, o nome de Ângelo Dourado foi oficialmente indicado pelo PDT em uma reunião com ACM Neto, em Salvador, que contou com a presença de parte dos prefeitos que apoiam o pedetista (relembre aqui).

Congresso promulga emendas do estado de emergência e do piso salarial da enfermagem

                                        

Oriunda da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 15/2022, também chamada de PEC dos Auxílios, a emenda 123 possibilitará ao governo gastar por fora do teto de gastos mais R$ 41,25 bilhões até o fim do ano para aumentar benefícios sociais, conceder ajuda financeira a caminhoneiros e taxistas, ampliar a compra de alimentos para pessoas de baixa renda e diminuir tributos do etanol.

O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, observou que o Parlamento brasileiro não poderia ficar omisso diante dos efeitos econômicos “nefastos” da pandemia de covid-19 e da guerra no leste europeu. Ele disse que a resposta foi urgente diante da demanda da população brasileira que, segundo ele, vem sofrendo com a alta inflacionária em toda a cadeia econômica. 

— Pesquisa realizada pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social revela que mais de 11 milhões de brasileiros passaram à situação de pobreza no ano passado, elevando para 47,3 milhões, 22,3% da população, o número de brasileiros que se encontravam nas zonas de pobreza ou de extrema pobreza ao final de 2021, o maior percentual em dez anos. Não poderia o Congresso Nacional permanecer omisso diante de números tão desalentadores — destacou. 

O presidente Jair Bolsonaro fez um breve histórico de medidas importantes aprovadas pelo Legislativo como as promulgadas nesta quinta-feira. Ele agradeceu o empenho dos parlamentares e disse que não faltou ao Senado e à Câmara “coragem de tomar iniciativa e de buscar alternativas” “saudáveis e bastante úteis” para a população.

— Esse é o governo federal, mas repito: o Parlamento, a Câmara e o Senado são essenciais. Somos parceiros. Por vezes, a gente fala e está na Constituição, que são três Poderes harmônicos e independentes, mas ouso dizer que o Parlamento e o Executivo são irmãos xifópagos, ou seja, nós estamos juntos sempre, nós dependemos um do outro e vivemos em plena harmonia — declarou. 

Na avaliação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, a relevância das três emendas promulgadas nesta quinta representa a validação dos esforços dos congressistas e de diversos setores da sociedade civil que, na sua visão, buscam mitigar os efeitos da crise.

— Hoje o Poder Legislativo permanece dando provas de que busca incansavelmente enfrentar um amplo leque de desafios pelos quais passa a sociedade brasileira. Temos a certeza de que esse conjunto de medidas provocará um impacto muito positivo na redução da pobreza no nosso país, minimizando seus efeitos tão deletérios para o nosso povo — afirmou. 

Estado de emergência

A PEC 15/2022 foi apresentada pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e altera o art. 225 da Constituição Federal para estabelecer diferencial de competitividade para os biocombustíveis, e inclui o art. 120 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias para reconhecer o estado de emergência decorrente da elevação extraordinária e imprevisível dos preços do petróleo, combustíveis e seus derivados e dos impactos até 31 de dezembro de 2022. Todas essas medidas constavam da PEC 1/2022, aprovada pelo Senado e apensada à PEC 15/2022.

O texto prevê que os R$ 41,25 bilhões serão usados até o fim do ano para a expansão do Auxílio Brasil (R$ 26 bilhões) e do vale-gás  (R$ 1,05 bilhão), para a criação de auxílios aos caminhoneiros e taxistas (R$ 5,4 bilhões e R$ 2 bilhões), para financiar a gratuidade de transporte coletivo para idosos (R$ 2,5 bilhões) e para compensar os estados que concederem créditos de ICMS para produtores e distribuidores de etanol (R$ 3,8 bilhões).

O relator da matéria no Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) fez referência a parceria institucional, que buscou pelo diálogo, o aprimoramento da matéria até se chegar ao texto final. 

— Tenho certeza absoluta de que nós estamos dando, hoje, ao Brasil, neste momento delicado da nossa história, não só do Brasil, mas mundial, a possibilidade de assegurarmos a mais de 18 milhões de brasileiros as condições necessárias para a sua subsistência. Enfrentamos as dificuldades, combatemos o aumento dos combustíveis — disse. 

O líder do governo e primeiro signatário da PEC 1/2022, senador Carlos Portinho (PL-RJ), avaliou que os Poderes Executivo e Legislativo “estão irmanados com os brasileiros” no momento de crise que, conforme classificou, é mundial. 

— A crise é mundial, a emergência é internacional. Enquanto discutíamos aqui, outros países nos copiavam, como na Espanha, onde estão sendo dados € 200,00 na ponta, para os mais vulneráveis, dentre outros benefícios, o que mostra, assim como no Japão, nos Estados Unidos, que a crise é internacional. Não há tempo a esperar, e não fazer nada não é uma solução para os brasileiros — enfatizou. 

Enfermagem

Já a emenda 124, do piso salarial nacional da enfermagem, originada da PEC 11/2022 , teve como primeira signatária a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). O texto define que uma lei federal instituirá pisos salariais nacionais para enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e parteiras. 

Agora, com essa mudança na Constituição Federal, o Projeto de Lei (PL) 2.564/2020, do senador Fabiano Contarato (PT-ES) — que fixa o piso salarial dessas categorias — poderá ser sancionado. Isso porque, ao inserir o piso no texto constitucional, evitam-se ações na Justiça sob a alegação do chamado vício de iniciativa — quando a proposta é apresentada por um dos Poderes sem que a Constituição lhe atribua competência para isso.

A senadora Eliziane Gama enfatizou que mais de dois milhões de profissionais serão beneficiados com a valorização das suas atividades com a emenda. Ela disse que agora a expectativa dos parlamentares é que o presidente Jair Bolsonaro sancione o PL. Contarato também se somou ao pedido pela sanção da matéria.

— Precisou haver uma crise sanitária, que vitimou 674 mil brasileiros. 674 mil brasileiros perderam a vida, 33 mil estão com sequelas irreparáveis, para que nós pudéssemos jogar luz para essa categoria que tem uma média salarial de R$ 2 mil a R$ 3 mil, R$ 4 mil. Que precisam ter dois, três vínculos empregatícios, renunciando todo o final de semana, renunciando Natal, Ano Novo, que não têm alojamento, que não têm EPI, que são maltratados, humilhados, são subjugados. Esse PL está dando dignidade a 2,7 milhões profissionais — acrescentou. 

De acordo com o PL, que aguarda sanção presidencial, o piso salarial de enfermeiros fica definido em R$ 4.750; o de técnicos de enfermagem, R$ 3.325; e o de auxiliares e de parteiras, R$ 2.375.

Recursos no STJ

Outra emenda promulgada foi a EC 125, que limita a apresentação de recursos no âmbito do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O texto teve origem na PEC 39/2021, da senadora Rose de Freitas (MDB-ES), ainda quando esta era deputada federal, e tem como objetivo limitar os recursos a serem analisados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), estabelecendo a obrigação de o recorrente demonstrar a relevância das questões de direito federal infraconstitucional discutidas no caso.

A iniciativa permite que o recurso seja recusado por meio do voto de 2/3 dos membros do órgão competente para julgá-lo. No entanto, o texto fixa casos em que já há a presunção da relevância: ações penais, de improbidade administrativa e com valor de causa maior que 500 salários mínimos.

Para o presidente do STJ, que estava presente à sessão, a emenda corrige uma distorção do sistema jurídico ao permitir que aquela Corte se concentre na “missão constitucional de uniformidade da interpretação da legislação federal”. 

— Um sistema adequado de geração e aplicação dos precedentes, assegurando estabilidade, previsibilidade e confiabilidade das decisões judiciais. É com confiabilidade e, sobretudo, com segurança jurídica que há desenvolvimento, crescimento, paz entre as pessoas — ressaltou. 

Ainda de acordo com a emenda, haverá presunção de relevância nas ações que possam gerar inelegibilidade, nas situações em que o acórdão recorrido contraria jurisprudência dominante do STJ, além de outras previstas em lei.

Atualmente, a Constituição permite que se recorra ao STJ, na forma desse recurso especial, em diversas situações.

Aprovada pela primeira vez na Câmara dos Deputados em 2017 (sob o número 209/2012) a PEC 39/2021 foi deliberada pelo Senado em novembro de 2021 (sob o número 10/2017), mas como sofreu modificações retornou à Câmara do Deputados. 

Fonte: Agência Senado                                                                   

Sindicatos farão fiscalização do piso salarial da Enfermagem na Bahia; entenda

 

Sindicatos farão fiscalização do piso salarial da Enfermagem na Bahia; entenda
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Promulgada nesta quinta-feira (14), a Emenda à Constituição que institui um piso nacional para a Enfermagem trará impactos não apenas para os profissionais. Caberá aos movimentos sindicais a fiscalização da aplicação do piso salarial da enfermagem, segundo a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde-BA) e ex-vereadora de Salvador, Aladilce Souza (PCdoB).

 

A sindicalista contou que a PEC do Piso irá tornar o salário mínimo dos enfermeiros uma questão constitucional, dando mais força aos sindicatos na busca pelos direitos da categoria.

 

"As prefeituras, o estado e o setor privado vão ter que se adequar por força dessa lei. Não acontecendo isso, os sindicatos vão poder entrar com representação na justiça. Agora nós vamos para as campanhas salariais com essa referência constitucional", disse Aladilce.

 

A ex-vereadora também explicou a diferença entre os sindicatos. O Sindsaúde é responsável pela cobertura dos funcionários públicos vinculados à Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), enquanto o Sindicato dos Enfermeiros do Estado (Seeb) deve se responsabilizar pela fiscalização no setor privado.

 

Em relação a promulgação da PEC, Aladilce afirmou que é a “maior conquista” de uma categoria de trabalhadores e ressaltou que a proposta também se trata de uma qualificação do trabalho.

 

“Eu diria que é a maior conquista de uma categoria de trabalhadores já teve nos últimos anos. É muito mais seguro para a população que essas trabalhadoras tenham apenas um emprego com uma remuneração. É muito melhor você ser assistido por um um profissional que tá descansado”, afirmou.

 

O Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) também comemorou a promulgação da PEC do Piso e afirmou que a aprovação do projeto é uma vitória para a categoria.

 

"Estamos falando de trabalhadores que estão na linha de frente do combate à Covid-19, na vacinação, nas unidades de saúde e nas UTIs, mesmo correndo risco de vida e recebendo salários baixos e incompatíveis com suas responsabilidades”, afirmou a presidente do Coren-BA, Giszele Paixão.

 

Segundo dados do Conselho, a Bahia possui mais de 146 mil profissionais ativos no setor de enfermagem. Sendo cerca de 42 mil enfermeiros, 91 mil técnicos e 12 mil auxiliares.

 

COMO FUNCIONA A PEC

Promulgada pelo Congresso Nacional na tarde desta quinta, a PEC do Piso da Enfermagem prevê a instituição de um “salário mínimo” para o setor de enfermeiros no Brasil (veja aqui).

 

De acordo com o PL 2564/20, o piso salarial de enfermeiros será de R$ 4.750,00; o de técnicos de enfermagem, R$ 3.325,00; e o de auxiliares e de parteiras, R$ 2.375,00.

 

Além disso, o texto prevê a correção salarial da categoria com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

 

A equipe de reportagem tentou entrar em contato com o Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia (Seeb), pórem não obteve resposta até o fechamento da matéria.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Sem acordo com oposição, LDO deve enfrentar dificuldades para aprovação na AL-BA

 

Sem acordo com oposição, LDO deve enfrentar dificuldades para aprovação na AL-BA
Foto: Lula Bonfim / Bahia Notícias

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, encaminhado pelo governo do estado à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) no último dia 13 de maio, deve encontrar problemas para evoluir dentro da casa parlamentar. Com a oposição irredutível nas intenções de não negociar com os governistas, a tendência é que a proposta demore em comissões e só seja aprovada depois das eleições.

 

Consultado pelo Bahia Notícias nesta quarta-feira (13), o líder da oposição na AL-BA, deputado estadual Sandro Régis (UB), reforçou que encerrou qualquer tipo de diálogo e negociação com o governo. Segundo ele, nenhum projeto de lei encaminhado pela gestão estadual deverá contar com um acordo para dispensar formalidades e ser votado imediatamente no plenário da casa.

 

“Acabou. Não tem conversa com o governo. Não tem LDO, não tem nada. Não vai ter acordo para votar qualquer coisa que venha de lá”, afirmou Régis.

 

De acordo com o líder oposicionista, o governo Rui Costa (PT) tem um histórico de não cumprir acordos e promessas feitas à oposição e, por esse motivo, não mereceria novo voto de confiança.

 

Com o impasse entre governistas e oposicionistas, o presidente da AL-BA, deputado Adolfo Menezes (PSD), prevê que a LDO deve enfrentar um processo legislativo vagaroso até chegar ao plenário da Casa para ser aprovado. Para ele, a dificuldade imposta pela oposição tem a ver com o período eleitoral que se aproxima.

 

“Quando o líder da oposição diz isso, a gente sabe que dificulta muito mais, porque o processo normal, passando por comissões, obedecendo todos os prazos, com possibilidade de pedido de vista, é muito difícil que o processo ande rapidamente. Quando tem tensionamento, como está tendo por causa das eleições, as coisas costumam levar mais tempo, o processo legislativo fica mais arrastado”, avaliou Adolfo, em entrevista ao Bahia Notícias nesta quarta.

 

Adolfo lamentou a situação e defendeu que os líderes do governo, Rosemberg Pinto (PT), e da oposição, Sandro Régis, conversem para chegar a um acordo que possibilite o andamento dos trabalhos no plenário de casa.

 

“Se houver acordo, pode votar quinta-feira, sexta-feira, segunda-feira, qualquer dia. Mas, infelizmente, isso ainda não aconteceu. Tenho conversado para ver se chegamos a um consenso, para que os projetos de interesse do estado sejam votados”, disse o presidente da AL-BA.

 

O próprio comandante da AL-BA revelou ter tentado interferir no impasse, conversando com os líderes para que ao menos o projeto que regulamenta a pensão dos militares fosse votado no plenário.

 

“Eu conversei com o deputado Sandro Régis, o deputado Rosemberg, para ver se a gente conseguia colocar em votação o projeto das pensões militares. Tem dezenas de pensionistas para receber sem receber pensão. É uma questão humanitária. É um projeto que precisa ser votado, porque não vai beneficiar deputado, nem governo, nem ninguém. É um direito de pessoas que estão precisando”, clamou Adolfo.

 

Por conta da dificuldade de diálogo entre governo e oposição, a AL-BA não tem previsão de uma nova sessão no plenário.

Com 19 impedimentos, Pleno do TJ-BA arquiva sindicância contra juíza Cassinelza Lopes

 

Com 19 impedimentos, Pleno do TJ-BA arquiva sindicância contra juíza Cassinelza Lopes
Foto: Divulgação

O Pleno do Tribunal de Justiça (TJ-BA) arquivou a sindicância contra a juíza Cassinelza da Costa Santos Lopes por atuação em um processo de usucapião que tramita na comarca de São Desidério, no oeste do estado. Com o arquivamento, a magistrada poderá se tornar desembargadora pelo critério de antiguidade. No total, foram 28 votos pelo arquivamento - 19 desembargadores que se declararam impedidos. Apenas quatro desembargadores votaram pela abertura do processo. 

 

A sindicância foi aberta a pedido da procuradora-geral de Justiça Adjunta, Wanda Valbiraci Caldas, e do Assessor Especial Criminal, Fabrício Patury. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) também abriu uma sindicância e um processo de investigação criminal contra o promotor de Justiça Alex Moura Santos.

 

Uma das partes do processo é Walter Horita, proprietário do imóvel denominado Fazenda Proveito, situado no Município de São Desidério. Horita também é réu na Faroeste. A área tem aproximadamente 760 hectares, avaliada em mais de R$ 9 milhões. O Estado da Bahia havia manifestado interesse na causa. Segundo o corregedor das Comarcas do Interior, Jatahy Fonseca, a magistrada atuou de forma irregular no processo, tendo despachado quando já não tinha cessado a designação para atuar no oeste.

 

Na leitura do relatório, o corregedor narrou que no dia 5 de setembro de 2019, às 18h56m, a ação de usucapião foi distribuída no sistema PJE, com cópia do pedido feito na esfera extrajudicial, o qual ficou obstado em face da impugnação feita pelo Estado da Bahia. O promotor de Justiça Alex Moura, antes mesmo de ter sido intimado, emitiu um parecer para declarar o usucapião extraordinário em favor dos Horitas. Na segunda-feira, dia 9 de setembro de 2019, a juíza proferiu uma decisão julgando totalmente procedente o pedido dos autores. No dia seguinte, terça-feira, 10 de setembro de 2019, o promotor, sem intimação, deu ciência da sentença e dispensou o prazo recursal. Também no mesmo dia, os autores da ação manifestaram ciência da decisão e renunciaram o prazo recursal, pedindo a certificação do trânsito em julgado para se tornar título de averbação  junto ao Cartório de Registro de Imóveis desta Comarca. A decisão foi publicada no Diário da Justiça no dia 12 de setembro daquele ano. No dia 4 de outubro, sem a certidão de trânsito em julgado, o cartório noticiou o cumprimento da sentença. O Estado da Bahia opôs embargos, o que manteve o processo paralisado desde o dia 10 de outubro daquele ano. 

 

O prazo em que todo o processo tramitou chamou a atenção das autoridades. Segundo a sindicância, as provas indicavam indícios de atuação irregular da juíza Cassinelza da Costa Santos Lopes. O primeiro fato seria por ausência de jurisdição, já que a sentença foi prolatada pela juíza além do prazo estabelecido para substituição na comarca de São Desidério. No dia 9 de setembro, a juíza já não poderia mais ter atuado no caso, conforme considerou o corregedor, pois a designação havia encerrado no domingo, dia 8 de setembro. Cassinelza também não teria observado a ordem preferencial para prolatação da sentença.

 

O diretor de Secretaria da Comarca de São Desidério afirmou que a unidade judiciária possuía, à época dos fatos, vários outros processos de usucapião necessitando de impulso oficial, e registrava, no início do período da primeira designação da magistrada, registrava 2018 processos conclusos. O processo mais antigo havia sido distribuído em janeiro de 1989. Mas a juíza teria apreciado e julgado, “em um só dia”, processo distribuído quatro dias antes da conclusão, quando já não atuava mais na comarca. “O que a análise das provas apresentadas comprova, contudo, é que a Magistrada investigada julgou o feito de forma açodada, conduzindo sua própria atuação de forma irregular ao decidir de forma frontalmente violadora às normas jurídicas de regência, com uma celeridade absolutamente desproporcional à realidade da Comarca em que atuava”, afirmou o relator.

 

Ao pedir a abertura do processo administrativo disciplinar, o corregedor das Comarcas do Interior negou o pedido feito pela defesa da juíza para suspender a sindicância até que tivessem autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ter acesso ao conteúdo da delação premiada feita pelo advogado Júlio César Cavalcanti.

 

A defesa da juíza, durante a sustentação oral, afirmou que não ficou comprovado nada contra Cassinelza e não consta que recebeu recursos das partes para favorecimento nos processos. A defesa também afirmou que a juíza se preocupava com o fluxo dos processos e por isso, deu o devido andamento ao caso. A justificativa para ter dado sentença na segunda foi que a designação foi encerrada no domingo - dia não útil. 

 

O desembargador Sérgio Cafezeiro pediu vista e abriu a divergência ao proferir o voto no dia 1º de junho deste ano. Para ele, a sindicada desenvolveu suas funções com regularidade, a partir de seu convencimento, e que não havia argumentos contrários ao deferimento do pleito. “O fato de um dos autores ter sido mencionado ‘em investigação criminal', por si só, não autorizaria a sindicada ou qualquer outro magistrado, a extrair conclusões e a partir disso, sonegar a prestação jurisdicional e deixar de sentenciar o feito”, disse no voto vista. Cafezeiro acrescentou que a decisão poderia ser revista através de recursos em demais instâncias do Poder Judiciário. Logo depois, o relator pediu para suspender o processo para reexaminar seu voto, pois a sindicância havia sido iniciada na gestão anterior da Corregedoria.

 

A desembargadora Joanice Guimarães pediu o arquivamento da sindicância, pelo fato da juíza ter mais de 30 anos de atuação e nunca ter sido alvo de nenhuma reclamação funcional no TJ-BA. O desembargador Abelardo da Mata afirmou que conhece a magistrada, tendo a substituído por um tempo, e por isso, também pediu o arquivamento. O desembargador Baltazar Miranda lembrou que a juíza é a mais antiga para ser promovida para uma vaga de desembargador e disse que não se falou em ter recebido vantagens pela decisão. Também observou que houve embargos do Estado no caso contra a sentença. O presidente do TJ-BA também votou pelo arquivamento, mesmo com a suspensão do processo até o reexame do relator. 

 

Jatahy também falou que foi colega de Cassinelza na turma de ingresso na magistratura e queria reexaminar o voto. Afirmou que a questão não é tão simples, pois até o promotor responde a uma sindicância por esse processo. Acrescentou que a sindicância não impediria o acesso ao cargo de desembargadora pelo critério de antiguidade. O desembargador Cícero Landim afirmou que a questão não é de ter acesso ao TJ, mas sim, o peso de responder a um processo disciplinar. “É muito duro uma pessoa ser injustamente acusada e depois absolvida”, afirmou. 

 

Nesta mesma sessão, a desembargadora Joanice Guimarães criticou a atuação do Ministério Público, o que gerou ainda uma manifestação posterior da procuradora de Justiça Vanda Walbiraci (veja aqui). A desembargadora Ivete Caldas criticou o fato do processo ter sido retirado de pauta e ainda assim os colegas continuarem votando pelo arquivamento. Também afirmou que a juíza é “assistida por excelentes advogados”, de forma que os colegas não precisariam fazer isso por ela, pois são julgadores. Após essa discussão, o deslinde da sindicância ficou designado para a sessão plenária realizada na manhã desta quarta-feira (13). Na oportunidade, o relator manteve o voto pela abertura do processo administrativo, e logo depois, a maioria dos desembargadores votou pelo arquivamento da sindicância.

TCE identifica problemas na distribuição de vacinas contra Covid-19 na BA; entenda

 

TCE identifica problemas na distribuição de vacinas contra Covid-19 na BA; entenda
Foto: Divulgação / Sesab

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) identificou diversas falhas no processo logístico da campanha de vacinação contra a Covid-19. A lista inclui adversidades que vão desde a falta de veículos suficientes a problemas de armazenamento que podem comprometer a integridade das doses.

 

O relatório ao qual o Bahia Notícias teve acesso menciona situações constatadas logo após a chegada dos lotes dos imunizantes ao Aeroporto de Salvador. O período analisado foi o de janeiro a julho de 2021.

 

Encaminhadas para a Central Estadual de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (CEADI) e depois para as Centrais Regionais de Rede de Frio, as vacinas estariam sendo submetidas a estruturas físicas com deficiências.

 

De acordo com o TCE-BA, os próprios equipamentos que preservam as vacinas estariam sem manutenção, assim como as edificações em questão. Os pontos citados seriam, segundo o Tribunal, motivos que acarretam "riscos e insegurança aos funcionários e ao armazenamento dos imunobiológicos".

 

Outras vacinas, além da usada para imunizar contra o vírus, estariam sob o mesmo risco, uma vez que os locais vistoriados e a estrutura, administrados por órgãos da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), são os mesmos.

 

Um plano de contingência, aplicado no caso de intercorrências no processo de estocagem, como falhas no fornecimento de energia, desastres naturais e outras emergências, também não foi encontrado. A ausência dessa estratégia, aponta o documento, evitaria "condições de riscos e eventuais perdas".

 

Para o transporte das doses aos municípios baianos a Sesab não estaria ofertando uma frota de veículos suficiente. Equipamentos que registram dados não estariam sendo utilizados e o número de servidores lotados na CEADI e nas Centrais Regionais de Rede de Frio de Cruz das Almas, Feira de Santana e Gandu estava abaixo do necessário.

 

Os auditores do Tribunal de Contas do Estado da Bahia também encontraram "impropriedades" dos indicadores divulgados pela secretaria quanto à cobertura vacinal.

 

A pasta estaria realizando os cálculos considerando apenas a relação entre doses aplicadas e doses distribuídas, "não fazendo correlação com a população, sendo, portanto, um frágil indicador de monitoramento e acompanhamento de desempenho da campanha de vacinação contra Covid-19 no estado e nos municípios baianos".

 

DECISÃO DOS CONSELHEIROS

Considerando o documento, os conselheiros do Tribunal de Contas, reunidos no último dia 6 de junho, resolveram pela continuidade das ações de fiscalização e acompanhamento dos aspectos orçamentário, financeiro e patrimonial. Assim como também determinou-se o monitoramento das medidas adotadas pela Sesab para corrigir as irregularidades destacadas.

 

O TCE-BA decidiu também pela determinação de medidas urgentes, a serem tomadas pela Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa) e pela Sesab, a fim de corrigir os problemas nas centrais. 

 

Houve a recomendação para que "realizem a manutenção corretiva dos veículos à disposição das Centrais Regionais, que se encontram sem condições de uso, e passe a utilizar os data loggers no transporte das vacinas, conforme orienta o Manual da Rede de Frio".

 

Seguindo a recomendação do TCE, a Sesab deverá reavaliar o quantitativo de pessoal à disposição das unidades, passar a disponibilizar no portal de acompanhamento da cobertura vacinal de maneira que considere os critérios apontados pela auditoria e implementar o plano de contingência.

 

SESAB NEGA INTERFERÊNCIA NA DISTRIBUIÇÃO

Alvo da auditoria, a Secretaria da Saúde negou que os aspectos apontados pelo Tribunal de Contas tenham interferido na dinâmica de distribuição das vacinas. Em nota, a Sesab afirmou que isso "pode ser confirmado pela simples observação dos números de doses distribuídas e armazenadas".

 

"A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) ressalta que melhorias foram realizadas na unidade de armazenamento e distribuição até capacidade estrutural permitida", diz um trecho do comunicado, acrescentando que, "por entender as limitações impostas pelo local", irá transferir a infraestrutura para outro local, que ainda está em reforma.

 

Quanto aos outros itens, o órgão se ateve a dizer que foram contornados com a viabilização de plantões extras para as equipes, carros adicionais advindos de outros setores e planos de contingência específicos para a Covid-19.

 

"É importante lembrar que a Bahia montou uma logística diferenciada com o uso de aeronaves, helicópteros, caminhões e carros a fim de entregar os imunobiológicos em até 24 horas em todos os 417 municípios", conclui.

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